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27/09/2012

Aplicações de dicionário

Quem, como eu, tem um espertofone pode andar munido de uma aplicação gratuita de dicionário on-line. Só funciona quando a transmissão de dados (aka «ligação à net») está activada, mas é melhor do que nada. Se quiser ter um dicionário no aparelho, tenho de o pagar.

Optei primeiro pela aplicação da Porto Editora. Já a tinha visto noutro telefone e parecera-me bem. Qual não é o meu espanto quando, na hora de instalar, leio que uma das condições de instalação é ceder-lhes o acesso a dados privados do meu telefone. É que não são uns quaisquer dados anónimos para efeitos estatísticos...



Ler identidade e estado do telefone? Que significa isso? Vejamos:

Determinar o número do meu telefone, o seu número de série, se estou a fazer uma chamada e para que número estou a ligar?!

Bem sei que esta permissão pode dar acesso a estes elementos e que isto não significa que a PE queira usar os dados, mas, seja como for, é um tanto sinistro. Não consigo imaginar um bom motivo para queiram sequer a possibilidade de acesso a esta informação, e, sobretudo, não consigo imaginar um bom motivo para eu a conceder.

Um ponto a menos para eles, um a mais para a Priberam, que só me impõe duas condições, bastante razoáveis:


A permissão para modificar/eliminar conteúdo do cartão SD refere-se apenas a instalar/desinstalar a aplicação do telefone. Aplicação essa que, pelo que vi até agora, funciona muitíssimo bem.

27/07/2012

Salgalhadas*

Quem gosta muito de palavras acaba por detestar algumas e algumas das coisas que lhes fazem. Um ódio antigo que tenho é o de ouvir chamar salada à alface. Tão crua, tão singela e inocente. Sem mais nem menos, deitam-lhe sal ou misturam-na com outras coisas. Salada? A que propósito?
Pois bem, a minha indignação duplicou. No dicionário virtual da Porto Editora, um dos significados de salada é alface. Bem sei que tem à frente a indicação popular, mas sancionar a tolice parece-me tolice maior. E pronto, dei por mim a ser purista. Tudo por causa de uma pobre alface.

Os maus usos devem ser dicionarizados? Onde se começa e onde se para? Fica aqui a questão.

* Para quem não sabe, salganhada não existe oficialmente, só salgalhada.

25/05/2012

Dicionar à antiga

Trabalho rodeada de dicionários, virtuais e em papel, mas há já algum tempo que não recorria aos cartapácios que tenho aqui na estante à minha esquerda, ficando-me pelos oráculos on-line. Nos últimos dias, porque tinha de estar absolutamente concentrada, desliguei o modem para não cair nas tentações da internet e trabalhei exclusivamente com os dicionários em papel.

Resultado? Alegria pura e simples. Não há links, é certo, mas percorrer o caminho entre as palavras pelas minhas próprias mãos soube-me que nem ginjas. É que também não há publicidade, ruído visual detestável que não nos deixa pensar tranquilamente nas coisas, saborear o verbete como quem beberica vermute.

Sem saber, já estava cheia de saudades dos encontros fortuitos de palavrinhas e palavrões, da trepidante viagem alfabética até chegar ao destino, só eu e o papel. Nada de publicidade a baba de caracol, zero sugestões de gadgets vistas sem querer pelo canto do olho, nada de jogos e de janelas a abrir sem eu lhes dar autorização. Quando abro um dicionário, a única coisa que quero abrir é a imaginação.

Há quem julgue os dicionários em papel tão obsoletos como as listas telefónicas. Que tontice. Eu não passo sem os meus, que se leem como um romance. E sabem que mais? Nestes dias sem internet nenhuma das pesquisas que fiz nestas páginas reais ficou sem resposta; pelo contrário, acho que descobri soluções que de outra forma não me teriam ocorrido.
 
Os dicionários on-line são convenientes, mas longa vida aos dicionários tradicionais!