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11/11/2013

Prioridades


No outro dia, encontrei esta imagem no mural de Facebook de uma pessoa próxima. Este tipo de «postais» costumam ter piada e são geralmente irónicos ou satíricos, mas por vezes os seus autores limitam-se a exprimir o enfado que sentem para com o resto do mundo, como acontece neste caso. O postal não me parece nada irónico e, francamente, não sei como pode alguém achar que é mais importante um pai conversar com um filho sobre gramática e ortografia do que sobre sexo e drogas. Não consigo pôr-me dentro da cabeça da pessoa que acha isso, mas conheço esse tipo de pessoas: as que se acham superiores aos outros por se exprimirem melhor oralmente ou por escrito, ou que acham que as deficiências ortográficas descredibilizam só por si narrativas ou argumentos bem formados. Geralmente, essas pessoas tiveram a sorte de terem tido acesso a uma boa formação académica, mas revelam falta de formação pessoal.
Sim, a gramática, a ortografia, a pontuação, a dicção, tudo isso são coisas importantes e devemos ser exigentes em relação a elas , mas não são prioritárias (que tal acabarmos primeiro com a fome no mundo, hein?), nem nenhuma deficiência a esse nível justifica uma postura de grammar nazi.
Relembrando as sábias palavras de Manuel António Pina: «Precisamos mais de boas pessoas [...] do que de bons escritores. Bons escritores há muitos, [...] boas pessoas não.»

28/10/2013

Ah, as redes sociais, as redes sociais...

Blogues, twitters e facebooks são uma ótima maneira de comunicarmos uns com os outros. Contudo, também revelam muitas vezes o mal que comunicamos. Diariamente, todos tropeçamos em gralhas ortográficas, erros gramaticais e raciocínios confusos, nossos ou alheios. No outro dia, li a seguinte frase no mural de alguém no Facebook:  

«Agradeço imenso de me ter aceite no seu grupo de Amigos.»

Ora, como já vimos aqui, imenso não deve ser usado desta maneira. Depois, nós agradecemos coisas, não agradecemos de coisas. Como também já referi aqui, com «ter» dizemos «aceitado» e não «aceite». Por fim, porquê escrever «amigos» com inicial maiúscula? Não faz sentido.

De uma só penada, uma série de erros. Não é grave, claro que não, mas tem a sua importância. Quando escrevemos nestes fóruns (tão vintage, falar em fóruns, não é?) estamos  a escrever para o mundo. E o mundo já é um sítio tão violento... não precisa dos nossos pontapés na língua.

25/04/2012

Advérbios de modo ≠ adjetivos

É um erro frequente confundir um advérbio de modo com um adjetivo. O primeiro modifica um verbo ou um adjetivo, o segundo qualifica um substantivo.

O João é afinado. «Afinado» é um adjetivo que qualifica o João.
O João canta afinadamente. «Afinadamente» é um advérbio que se refere ao modo como o João canta.

Não devemos dizer «o João canta afinado». (Em caso de dúvida, o melhor é dizer «de forma afinada».)

Em baixo vemos um exemplo clássico deste erro comum:


O anúncio queria convidar-nos a chegar aos Jogos Olímpicos antes do Usain Bolt. Na realidade, convida-nos a chegarmos aos Jogos Olímpicos a fazer melhores tempos do que ele.

11/02/2012

«Ter de» ou «ter que»?

É uma dúvida muito comum: «tenho de ir ao médico» ou «tenho que ir ao médico»?

O correcto, neste caso, é «tenho de». Usa-se «ter de» sempre que a ideia é de necessidade/obrigatoriedade (ou seja, na maioria das vezes). 
Só se deve usar o que quando o sentido é o de «tenho [coisas] que fazer» ou «não tenho [alimentos] que comer».

Dica: se não tem a certeza, vá pelas probabilidades e use o «ter de». 

Para saber mais, veja esta resposta no Ciberdúvidas.