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22/06/2012

Greve!

E por falar em pontuação desgovernada, já conhecem o Greve? Este delicioso livro de Catarina Sobral, publicado pela Orfeu Mini, é de leitura obrigatória. Deixo-vos o booktrailer:


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20/04/2012

Leitura recomendada II


Gramática da Fantasia, de Gianni Rodari, editado pela Caminho, é um dos livros mais maravilhosos com que algum dia me cruzei. Com frases como «Se, apesar de tudo, não tivéssemos esperança num mundo melhor, quem nos convenceria a ir ao dentista?», faz da teoria pura diversão. É como se Hegel, os irmãos Grimm, Saussure, um cão com um armário às costas, Freud, o Capuchinho Vermelho, Novalis e a Branca de Neve se juntassem à volta de uma fogueira a conversar sobre como nascem as histórias. 

Li-o há alguns anos e volto sempre a ele com deleite. Recomendo-o vivamente a todos os que gostam de ler, de inventar e de existir, sejam autores de livros para crianças, pais, psicólogos, filósofos, madrastas, príncipes ou sapateiros. (A Feira do Livro está à porta, é aproveitar.)

A tradução, belíssima, é de José Colaço Barreiros, e, pelos vistos, deu trabalho.

27/03/2012

Leitura recomendada I



A editora Pergaminho acaba de publicar Como Não Escrever um Romance, 200 erros clássicos e como evitá-los, de Sandra Newman e Howard Mittelmark. Este é um guia sério e ao mesmo tempo hilariante sobre o que não fazer quando se escreve um livro (romance ou outro tipo de texto, pois a extrapolação é possível e desejável).

Ao escrevermos, caímos sem dar conta em muitas armadilhas: fazer descrições longas sem finalidade aparente, omitir elementos importantes, usar a pontuação de forma desgovernada, etc. Esta check list de 200 itens ajuda-nos a perceber se temos arestas por limar na nossa obra, mas também a interpretar de forma mais crítica os textos alheios.

A meu ver, o grande trunfo do livro (embora trunfos não faltem) é o humor. Incisivos onde devem ser, os autores não são trocistas no mau sentido. Ou seja, não fazem pouco do autor que tenta pôr alguma coisa interessante no papel, procuram apenas mostrar-lhe de forma descomplexada por que caminhos não deve ir e porquê.
A nota menos positiva, e que não é de todo grave, vai para a ideia omnipresente de que um bom romance não viola certas regras. Os autores bem dizem na introdução que não apresentam regras, apenas reflexões, mas estas reflexões aplicam-se sobretudo ao romance médio, havendo sempre honrosas exceções. Vladimir Nabokov e Garcia Márquez, por exemplo, passaram por cima dos conselhos nos capítulos 1 e 2 com um trator.
Há ainda uma confusão entre «obra não publicada» e «obra impublicável», mas isso não atrapalha demasiado a leitura

O mercado está cheio de oficinas e manuais de escrita criativa e isso é ótimo , mas faltava este livro. Uma bíblia para uns, uma pérola para outros, recomendo-o a todos: autores, profissionais da edição e leitores em geral.