09/04/2013

Odiar palavras

 

Ler é maravilhoso, escrever também, as palavras são pombas que pousam na linha telefónica e veiculam sentidos, música para os nossos ouvidos. 
 
Porém, contudo, todavia... há palavras horríveis. Não falo dos palavrões, claro, que os há bem engraçados e têm uma função muito concreta, a de serem palavras desagradáveis, que quase sempre cumprem bem. Não. Falo de palavras que nos provocam arrepios quando deparamos com elas.

Em tempos, a palavra «panado» era-me insuportável e nunca soube dizer porquê (eu, que até gosto dos ditos). Com o tempo, passou-me. Uma que será para sempre detestável é «badalh**o/a». Custa-me escrevê-la, sou incapaz de a dizer e, actualmente, só me é mais suportável ouvi-la porque alguns amigos decidiram sujeitar-me a uma terapia de insensibilização, à força de tanto a repetir para me arreliar. Dantes encolhia-me, agora já não, embora ainda me custe.

Quem gosta muito de palavras, naturalmente, está propenso a ganhar uma aversão profunda a algumas delas, por vezes de forma bastante drástica e irracional.
O leque das palavras que costumava incomodar-me era muito maior; agora resume-se a umas quatro ou cinco. É claro que continuo a ter outro tipo de ódios de estimação (ou pet peeve, em inglês)* relativos à linguagem, mas isso fica para outro dia.


*A propósito, peeve é uma palavra horrorosa. Sim, também é possível amar ou odiar palavras noutra língua que não a materna.


PS: Se acham piada ao assunto, recomendo este artigo. Conheço uma pessoa que detesta, precisamente, a palavra moisture. :)


25/03/2013

Bloqueio criativo

Teve uma ideia para um conto ou um romance, começou a desenvolvê-la, mas agora chegou a um beco sem saída, aquilo a que em inglês se chama writer's block. Não desespere; há muitas vias que pode explorar para tentar desbloquear a situação, desde respirar fundo até eliminar personagens, passando por inventar finais completamente diferentes daquele que imaginou inicialmente. 

No futuro, falarei mais acerca deste problema e de como o ultrapassar, mas, para já, aqui fica um gráfico que lhe pode ser muito útil:

(Clique para aumentar.)

22/03/2013

Barack Obama, editor de texto

Como qualquer pessoa sabe, é preciso escrever, reescrever, repensar, apagar, ler em voz alta e reescrever um pouco mais um texto antes de o trazer a público, seja um livro, um CV, uma campanha publicitária ou um discurso.
Até o presidente do «país mais poderoso do mundo», mesmo com uma brilhante equipa de redactores, dá os seus retoques:






Fontes: http://www.theatlantic.com/politics/archive/2013/02/barack-obama-editor/273284/ e http://www.theatlantic.com/politics/archive/2013/02/barack-obama-editor/273284/

20/03/2013

«De» ou «da»?

Presidente de Câmara ou da Câmara? Pormenores que fazem toda a diferença.


Fonte: Público.

18/03/2013

Revisor de texto

A diferença entre superpoderes e superpodres.



(Ando ocupada, daí a falta de notícias, meus estimados três leitores, mas volto em breve. Até lá, podem ler coisas que vou escrevendo noutros sítios, como no site Ebook Portugal, por exemplo.)

21/01/2013

Aprender com os outros #1

John Hodgman, autor de vários livros e ex-agente literário, fala sobre a sua experiência como escritor.

16/01/2013

Palavras mal-ditas



Há palavras que teimam em ser mal ditas e, depois, mal escritas. «Espilrrar» é apenas um de centenas de exemplos à disposição. 
Curiosamente, quase todas as novas versões das palavras são mais complicadas do que o original. Se fosse para simplificar, compreendia-se o motivo, mas quase sempre é mais difícil dizê-las e escrevê-las mal do que bem. 
De todas as palavras-equívoco, a minha preferida é «volúpcia». Mistura voluptuosidade com pelúcia, o que me lembra logo veludo. Na minha cabeça, a palavra tem esta forma:


Outra palavra muito boa é «sigílio». Na fotografia, o que vemos é «sigilio» (do verbo «sigiliar»?), o que constitui uma nova forma de erro. Delicioso. A imaginação humana não tem limites.


PS: A propósito da imagem, aproveito para lembrar que, no sentido de unidade de medida, «grama» é uma palavra masculina. Só devemos usar «grama» no feminino quando nos referimos à relva. Ou seja, na charcutaria, o que pedimos é duzentos e cinquenta gramas de «mortandela».

14/01/2013

«Escrever não é só romances» #3

Também se escrevem cartas, muitas, óptimas, cheias de amor, de inteligência e de graça, cheias de vida e nada ridículas.

07/01/2013

Preços


Pedem-me muitas vezes que diga quanto levo por página nos trabalhos de revisão ou edição de texto, de tradução e de redação. A minha resposta é sempre igual: «depende». Pode ser 1,5 € por página ou pode ser 15 €.

Tudo depende dos prazos, do tipo de trabalho, das dificuldades que põe, da bagagem que exige, da extensão, da modalidade de pagamento, do tipo de relacionamento com o cliente e de muitos outros fatores. Não funciono com preços tabelados ou aproximados – dou sempre um orçamento (gratuito, confidencial e sem compromisso) específico para cada projeto, em função de uma boa amostra do texto e daquilo que se pretende.* Embora a formulação destes orçamentos individuais me tome tempo, é o mais justo para o cliente e para mim. Assim, ninguém paga a mais e ninguém recebe a menos. 

O preço justo não é um «preço competitivo face à média do mercado» (uma abstração ninguém sabe ao certo qual é a média, nem ela é justa em si mesma), é um valor a que se chega olhando bem para as expectativas do cliente, para a natureza da tarefa e para a qualidade do serviço prestado. 

Não é uma questão de «ser subjetivo». Mais objetivo não podia ser. Trabalhos diferentes = preços diferentes. 
A revisão de uma tese de doutoramento não dá o mesmo trabalho por página que dá a revisão de um romance; um texto em bom estado exige menos do editor do que um texto cheio de fragilidades; traduzir um texto com terminologia obscura em tempo recorde é mais difícil do que traduzir calmamente um texto publicitário, e assim por diante.  
Quando vamos ao dentista, não pagamos um valor fixo, os dentistas não levam todos o mesmo e não pedimos aos dentistas que nos digam «por alto» quanto levam sem sequer lhe dizermos o que nos aflige, pois não?

Pela minha parte, desconfio bastante de quem cobra sempre o mesmo, pois o mais provável é que não seja um profissional sensato (está disposto a perder dinheiro nos casos difíceis e a cobrar a mais nos casos fáceis) e qualificado (se não é sensível às diferenças de caso para caso, dificilmente terá a sensibilidade necessária para desempenhar bem a sua tarefa). 


*A minha única exceção a esta regra são as traduções de livros para algumas editoras com quem trabalho regularmente. Já as conheço, já conheço o tipo de textos e, portanto, há um preço fixo por página.

04/01/2013

Conversar com autores

Já aqui falei de podcasts, episódios de programas de rádio que podem ser descarregados gratuitamente on-line e ouvidos mais tarde em qualquer leitor (computador, iPod, telemóvel...). Descobri recentemente um programa óptimo, o BBC World Book Club. Todos os meses se discute um livro de ficção com o seu autor, que responde a perguntas do público. Isto permite-lhe ficar a conhecer melhor o escritor, a obra e a mecânica literária. Além de entreter, aprende-se muitíssimo.
Se gosta de conversa inteligente, se não tem tempo, dinheiro ou disposição para ir a lançamentos, ler revistas da especialidade ou entrevistas no computador, a resposta é o BBC World Book Club. Tem de compreender inglês é o único senão , mas cada minuto vale a pena.
Para começar, sugiro-lhe este episódio, com Colm Toibin. O autor, além do sentido de humor, ainda tem grandes tiradas (como «a página não é um espelho»). Food for thought, indeed.

02/01/2013

«Escrever não é só romances» #2



Também se escrevem canções.

31/12/2012

2012

O fim do ano obriga-nos sempre a olhar para trás e a refletir no que aconteceu nos doze meses anteriores. Pela minha parte, não me posso queixar: revi muito, traduzi vários livros, estou a escrever um, fiz uma viagem profissional a Luanda, ajudei autores, trabalhei com editores, amigos e empresas, reformulei dezenas de CV (algumas dessas pessoas já encontraram emprego!), escrevi para sites, para blogues, convivi com colegas, elaborei pareceres de leitura e ainda tive tempo para respirar, ler, fazer exercício físico e aproveitar as melhores coisas da vida.
Venha o novo ano. Estou pronta.

Um óptimo 2013 para todos, cheio de ideias e coragem para as concretizar!

Sabia que...

Os dias da semana se escrevem todos com letra minúscula?

É verdade. Todinhos. Mesmo sábado e domingo. E não é por causa do «novo» Acordo Ortográfico. 
Pense lá bem: há algum bom motivo para os escrevermos com maiúscula?
Os nomes dos meses seria compreensível, pois quase todos têm origem em nomes de divindades. Por sua vez, também há uma longa tradição de se escrever os nomes das estações do ano usando caixa alta.
Agora, os nomes dos dias da semana, com NAO ou sem NAO, iniciam-se sempre com a prosaica letra minúscula.

28/12/2012

«Escrever não é só romances» #1


Também se escrevem piadas.