06/11/2013

22 pistas (porque aqui não acreditamos em regras fixas ou soluções mágicas) para escrever histórias

Se estivermos atentos, aprendemos com tudo à nossa volta. Os filmes as histórias neles contidas são uma fonte de conhecimento especialmente rica e acessível. Os estúdios de animação Pixar têm-se revelado mestres a contar histórias. Emma Coats, que trabalhou naquela empresa, compilou em 2011 alguns dos princípios por que a equipa de guionistas e desenhadores se regia e que se podem aplicar a qualquer pessoa que escreva ou que procure orientação para começar a escrever. Pouco depois, Dino Ignacio pegou nessa lista de ideias e pô-las em imagens. Eis o resultado:



E, para rematar:

«I just watched a film where a man's wife is brutally murdered by a serial killer, and his son is left physically disabled. Then in a twisted turn of events, his son is kidnapped, and the man has to chase the kidnapper 1,000's of miles with the help of a mentally disabled woman. Finding Nemo is a real thriller.»

04/11/2013

«Write what you know»?




Este conselho «escreve sobre as coisas que conheces» , que se dá recorrentemente a quem escreve ou quer escrever, será útil para muitos, mas deixa-me paralisada. É verdade que, como aconselhei aqui, tenho a vantagem de já ter tido várias profissões, de já passado por muitos universos, mas para se escrever sobre aquilo que se sabe é preciso saber-se alguma coisa, e eu, precisamente, nada sei. Não tenho grandes certezas na vida, não acredito em nada dogmaticamente, matei cedo quase todos os ídolos, não me julgo portadora de qualquer verdade universal, pelo menos não de uma original ou que mereça transmissão direta. Assim, que me resta? Escrever sobre o que não sei. (É claro que posso escrever receitas de bolos que conheço, mas não é disso que estamos a falar.) E isto é vertiginoso. Sempre que dou «o» passo e me proponho escrever qualquer coisa minha, à minha frente, o abismo.
Felizmente, que a companhia sempre conforta, não sou a única com vertigens. E depois, claro, há uma ou outra citação amiga:

Ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que não sabemos ou que sabemos mal? É necessariamente neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nesta ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância e que transforma um no outro.
Gilles Deleuze

30/10/2013

Vírgulas

A utilização da vírgula dá dores de cabeça a muita gente. Embora haja algumas regras, também há muitas exceções e espaço para a subjetividade. Há vírgulas obrigatórias e proibidas (sempre com salvaguardas), que mudam completamente as ideias numa frase, mas também há vírgulas de estilo, que tanto podem lá estar, como não. A somar a isto há ainda o espírito da época, que ora subtilmente preconiza o uso profuso da vírgula, ora recomenda a contenção. Perante este cenário, como não ficarmos confusos? O melhor mesmo é conhecermos bem as normas principais e, no que diz respeito às outras situações, valermo-nos dos nossos sensibilidade e bom senso.
Em português,  as vírgulas são um assunto complicado, mas não é só na nossa língua que elas podem representar um problema. Até no inglês, sempre tão conciso e prático, há casos dúbios. Exemplo disso é a famosa oxford comma uma vírgula que se costuma usar depois do último elemento de uma enumeração , que alguns entendem essencial e outros, supérflua. Tão controversa é esta vírgula que até existem músicas em sua honra:



Há debates acesos entre escritores, revisores e editores sobre se uma vírgula deve lá estar ou não. Entre académicos, as discussões são ainda mais sérias. Feitas as contas, esta coisa das vírgulas importa muito? Importa qualquer coisa. Mas, por mim, desde que o texto se mantenha claro e escorreito, deve haver liberdade. E vocês, o que acham? Quanto mais vírgulas melhor ou o mínimo possível?

28/10/2013

Ah, as redes sociais, as redes sociais...

Blogues, twitters e facebooks são uma ótima maneira de comunicarmos uns com os outros. Contudo, também revelam muitas vezes o mal que comunicamos. Diariamente, todos tropeçamos em gralhas ortográficas, erros gramaticais e raciocínios confusos, nossos ou alheios. No outro dia, li a seguinte frase no mural de alguém no Facebook:  

«Agradeço imenso de me ter aceite no seu grupo de Amigos.»

Ora, como já vimos aqui, imenso não deve ser usado desta maneira. Depois, nós agradecemos coisas, não agradecemos de coisas. Como também já referi aqui, com «ter» dizemos «aceitado» e não «aceite». Por fim, porquê escrever «amigos» com inicial maiúscula? Não faz sentido.

De uma só penada, uma série de erros. Não é grave, claro que não, mas tem a sua importância. Quando escrevemos nestes fóruns (tão vintage, falar em fóruns, não é?) estamos  a escrever para o mundo. E o mundo já é um sítio tão violento... não precisa dos nossos pontapés na língua.

25/10/2013

Caça às repetições

Em muitas línguas ocorre-me em particular o caso do inglês , a repetição de palavras num texto não tem grande importância, não choca quem lê. Em português, se usarmos com frequência e proximidade uma determinada palavra isso pode soar mal. «Soar mal» não é meramente subjectivo, revela falta de estilo, ausência de desembaraço na escrita. Havendo tantos vocábulos, porquê repetir sempre os mesmos termos?

Embora, consciente ou inconscientemente, tentemos evitar as recorrências, a verdade é que muitos de nós temos tiques de linguagem, bengalas discursivas, de que nem nos apercebemos. Ainda que não escrevamos uma e outra vez «tipos» ou «pás» como os dizemos em conversa, podemos incorrer em sucessivos «poréns», «incrementar» ou «redarguiu ele», o que acaba por cansar o leitor. 

Os revisores e editores de texto costumam chamar a atenção para esses casos, mas os autores também podem fazer um autodiagnósticos usando ferramentas automáticas de contagem de palavras disponíveis on-line. Uma delas chama-se Textanz e é gratuita durante os trinta dias de versão experimental. Se tem um texto importante em mãos, experimente. Pode ser que se surpreenda e detete os seus chavões a tempo.


(Clique na imagem para a aumentar.)

14/10/2013

Aviso

Este blogue não está suspenso, está em suspense, porque vêm aí novidades...

17/05/2013

15/05/2013

Como escrever o seu primeiro argumento de cinema em trinta dias

Quem o explica é o João Nunes, guionista e publicitário. Visitando o seu site, pode descarregar o  e-book que o autor disponibiliza gratuitamente. O livro inclui um plano de trabalho e dicas de escrita.



Mesmo que nunca tenha pensado escrever guiões para filmes, peças de teatro ou televisão, esta pode ser uma excelente maneira de treinar os seus diálogos e de chegar a novas ideias. Talvez descubra até um talento adormecido. Aproveite a generosidade e transforme-a em criatividade. 
(Pode parecer um bocadinho «conversa de auto-ajuda» da minha parte, mas não arranje desculpas, vá, deixe de ser preguiçoso e ponha-se a escrever!)

14/05/2013

Plano de trabalho

Se o leitor pensa que os autores começam a escrita de um texto (seja de ficção ou não) na primeira página indo ao sabor da corrente até chegarem à última, está muito enganado. A boa escrita nunca é por acaso, por muito casual que pareça. Exige invariavelmente muitas horas de dedicação e, a maior parte das vezes, um plano. Esse plano, depois, pode ser mudado, até descartado, mas tem de haver um plano. E como os autores precisam de esvaziar a cabeça e de registar tudo para não se esquecerem, costumam passá-lo para o papel. Eis alguns exemplos:

Esquema para The Bell Jar, de  Sylvia Plath .

Grelha para Catch-22, de Joseph Heller.

Pode encontrar outros exemplos aqui.

Enquanto isso, já pensou na sua estratégia?

23/04/2013

As virtudes do profissional do texto

São Jerónimo, por Domenico Ghirlandaio.

Subscrevo na íntegra estas palavras de William C. Cruz, um texto que vale a pena ler até ao fim (e repetir a dose sempre que necessário).

Não haja dúvida que, além de muita preparação profissional, é imperativo que o revisor/editor/tradutor tenha uma boa formação humana. Nesta área, nunca será competente quem não for humilde, diligente, prudente, seguro, responsável e solícito. Eu diria também amável, curioso e um tanto neurótico.

11/04/2013

Às fezes, os erros saem especialmente caros


Não acreditam? Espreitem aqui.

09/04/2013

Odiar palavras

 

Ler é maravilhoso, escrever também, as palavras são pombas que pousam na linha telefónica e veiculam sentidos, música para os nossos ouvidos. 
 
Porém, contudo, todavia... há palavras horríveis. Não falo dos palavrões, claro, que os há bem engraçados e têm uma função muito concreta, a de serem palavras desagradáveis, que quase sempre cumprem bem. Não. Falo de palavras que nos provocam arrepios quando deparamos com elas.

Em tempos, a palavra «panado» era-me insuportável e nunca soube dizer porquê (eu, que até gosto dos ditos). Com o tempo, passou-me. Uma que será para sempre detestável é «badalh**o/a». Custa-me escrevê-la, sou incapaz de a dizer e, actualmente, só me é mais suportável ouvi-la porque alguns amigos decidiram sujeitar-me a uma terapia de insensibilização, à força de tanto a repetir para me arreliar. Dantes encolhia-me, agora já não, embora ainda me custe.

Quem gosta muito de palavras, naturalmente, está propenso a ganhar uma aversão profunda a algumas delas, por vezes de forma bastante drástica e irracional.
O leque das palavras que costumava incomodar-me era muito maior; agora resume-se a umas quatro ou cinco. É claro que continuo a ter outro tipo de ódios de estimação (ou pet peeve, em inglês)* relativos à linguagem, mas isso fica para outro dia.


*A propósito, peeve é uma palavra horrorosa. Sim, também é possível amar ou odiar palavras noutra língua que não a materna.


PS: Se acham piada ao assunto, recomendo este artigo. Conheço uma pessoa que detesta, precisamente, a palavra moisture. :)


25/03/2013

Bloqueio criativo

Teve uma ideia para um conto ou um romance, começou a desenvolvê-la, mas agora chegou a um beco sem saída, aquilo a que em inglês se chama writer's block. Não desespere; há muitas vias que pode explorar para tentar desbloquear a situação, desde respirar fundo até eliminar personagens, passando por inventar finais completamente diferentes daquele que imaginou inicialmente. 

No futuro, falarei mais acerca deste problema e de como o ultrapassar, mas, para já, aqui fica um gráfico que lhe pode ser muito útil:

(Clique para aumentar.)

22/03/2013

Barack Obama, editor de texto

Como qualquer pessoa sabe, é preciso escrever, reescrever, repensar, apagar, ler em voz alta e reescrever um pouco mais um texto antes de o trazer a público, seja um livro, um CV, uma campanha publicitária ou um discurso.
Até o presidente do «país mais poderoso do mundo», mesmo com uma brilhante equipa de redactores, dá os seus retoques:






Fontes: http://www.theatlantic.com/politics/archive/2013/02/barack-obama-editor/273284/ e http://www.theatlantic.com/politics/archive/2013/02/barack-obama-editor/273284/

20/03/2013

«De» ou «da»?

Presidente de Câmara ou da Câmara? Pormenores que fazem toda a diferença.


Fonte: Público.